Nem sei...não sei se diga ou se guarde só para mim...
Estou de partida, com alguns receios e muitas expectativas...mas não é isso que não posso dizer...
No meio disto tudo...no meio dos caixotes, do empacotar uma vida...há algo que não consigo arrumar em lado nenhum. E isso dá-me a volta à cabeça.
E cresce cá dentro apesar de tentar reprimir, de tentar fingir que não existe...que já ou nunca existiu...
E sei que antes de me ir embora vou ter de deitar cá para fora, partilhar com quem não quer ouvir...
Adio este momento ao máximo por saber ser o último, um daqueles sem volta. Mas ao mesmo tempo penso que cada segundo que passa é mais um desperdiçado, inútil e sem sentido. Só e apenas porque não estou contigo...
Não sei se percebeste mas na última vez que te vi mal consegui disfarçar e aguentar-me para não perceberes que nos meus olhos já nascia um rio, o mesmo que aparece sempre que penso em ti...e na minha ida...
Ficar não ia mudar nada mas mesmo assim a distância forçada magoa. É meu, é só meu...e é isso que masoquistamente me faz querer ver-te, cheirar as tuas coisas, ouvir as tuas músicas, rever os mesmos filmes...Só para me sentir um pouco mais perto de ti...
E no meio disto tudo, ainda arranjar tempo para procurar algo meu para deixar contigo...Algo a que não possas dizer não...como já dissemos os dois no passado...
Provavelmente nem vais ler isto...melhor assim quem sabe.
Saiu cá para fora um bocado do rio e aliviou um pouco cá dentro...
Beijinhos numa noite de lua quase cheia, hoje só para ti...
quarta-feira, 20 de abril de 2011
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